A aprendizagem de uma segunda língua por alunos neurodivergentes pode seguir diferentes caminhos, que extrapolam uma forma única de ensinar. O desafio é identificar como cada aluno se comunica e aprende a responder melhor às atividades propostas. 

Quando adaptações são necessárias, elas podem envolver desde a forma de apresentar o conteúdo até os recursos utilizados para estimular a comunicação e a participação. Assim como acontece na aprendizagem em língua portuguesa, as estratégias devem considerar as características e necessidades de cada estudante.

Para Vanessa Codecco, head pedagógica do Twice Ensino Bilíngue, a condução em sala de aula deve se ajustar à realidade e à resposta de cada aluno.

“Existem estudantes neurodivergentes cuja aula é mais focada na habilidade oral, porque são alunos que não conseguem escrever ou permanecer em atividades de escrita, mas conseguem falar e compreender muito bem. Em outros casos, a adaptação acontece porque o estudante não é verbal, então as atividades são desenvolvidas por meio da escrita, da associação e da combinação de palavras. Tudo depende da necessidade individual, e essas adaptações são muito parecidas tanto no ensino bilíngue quanto na língua portuguesa”, afirma Vanessa. 

Recursos visuais e sensoriais apoiam diferente formas de aprender

Nas escolas parceiras, o Twice Ensino Bilíngue utiliza recursos visuais, sensoriais e materiais didáticos estruturados para dar segurança técnica aos professores. 

O uso de imagens, objetos e outros elementos concretos ajuda a criar referências para a compreensão da língua e das rotinas em sala de aula. Esses recursos não são necessariamente exclusivos para estudantes neurodivergentes, mas podem ganhar importância quando o aluno se beneficia de outros canais de comunicação além da linguagem verbal ou escrita. 

“O nosso material tem um apoio pedagógico muito forte no aspecto visual. Trabalhamos com flashcards e language cards, que são cartões de imagens utilizados em sala de aula como suporte para a linguagem do dia a dia. Com eles, o estudante consegue compreender e comunicar necessidades cotidianas, como pedir para ir ao banheiro, beber água ou participar das rotinas da aula, sempre com o apoio das imagens. Na Educação Infantil, esse repertório é ampliado com brinquedos e realias, objetos que remetem ao contexto real da criança e tornam o aprendizado do inglês mais concreto, sensorial e significativo”, explica Vanessa. 

Além dos materiais, o acompanhamento pedagógico dos professores permite avaliar quais estratégias funcionam melhor para cada estudante e fazer ajustes ao longo do processo. Em vez de estabelecer um modelo específico para alunos neurodivergentes, a proposta é ampliar as possibilidades de participação e aprendizagem dentro da própria dinâmica da sala de aula.