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De acordo com o British Council, no Brasil, apenas 5,1% da população têm algum tipo de
domínio sobre o inglês. Um dos motivos alegados para o fraco desempenho dos brasileiros é a
falta de tempo e organização que muitos adultos enfrentam. Além disso, as escolas tradicionais
não oferecem contato direto com a prática de um idioma estrangeiro.
Mas, afinal, qual é a melhor idade para começar a aprender uma nova língua? O Instituto de
Tecnologia de Massachusetts (MIT) realizou um estudo com centenas de milhares de pessoas
para responder a essa pergunta. Mais especificamente, o objetivo era verificar a idade ideal para
obter um conhecimento nativo da gramática da língua inglesa.
Cerca de 670 mil pessoas acessaram um questionário online que avaliou a habilidade dos
participantes se passarem por falantes nativos em termos de precisão gramática. Os dados
levaram os pesquisadores do MIT a concluir que a melhor resposta para a pergunta do
parágrafo anterior é “por volta dos dez anos”. Após essa idade, a capacidade de aprender
diminui.
Por que aprender desde cedo
Vale destacar, entretanto, que a resposta do MIT sobre a melhor idade para aprender uma nova
língua é uma estimativa. A primeira infância também tem seus benefícios em termos de
aprendizagem de idiomas. Nessa época, é mais fácil, por exemplo, adquirir sotaques nativos,
uma vez que o ouvido está melhor preparado para captar novos sons.
Outro estudo, publicado no The Journal of Neuroscience e realizado por cientistas do Kings
College, de Londres, e pela Brown University, de Rhode Island, ajuda a entender por que
aprender desde cedo traz uma série de vantagens. Segundo a pesquisa, é nos primeiros anos de
vida que o cérebro está mais propenso a absorver informações e experiências.
Assim, em contato com outro idioma, os jovens aumentam seu repertório sociocultural. Com
uma visão mais ampla da realidade, eles acabam desenvolvendo soft skills essenciais para o
futuro no mercado de trabalho e na vida em comunidade, como o senso crítico, controle
emocional, criatividade e empatia. Além disso, as crianças aprendem de forma lúdica.
“Com essa idade, as crianças não aprendem um idioma – elas o adquirem”, explica Carmen
Rampersad, diretora de uma creche com educação bilíngue localizada em Londres, na
Inglaterra, em reportagem publicada na BBC News. A fala de Rampersad ressalta a capacidade
dos pequenos em aprender novas línguas de maneira natural.
O papel das escolas com programas bilíngues
Na reportagem da BBC News, a psicolinguista da Universidade de York, Danijela Trenkic, dá o
exemplo de famílias que se mudam para outros países. Nesses casos, as crianças costumam
aprender o idioma estrangeiro muito mais rápido que seus pais. Isso acontece, segundo Trenkic,
porque, em geral, elas ouvem a língua nova com mais frequência na escola.

Uma mudança de país, entretanto, nem sempre é uma opção. Pais que desejam que seus filhos
adquiram o bilinguismo têm uma opção mais prática e barata: matricular as crianças em escolas
com programas bilíngues. Assim, em contato diário com o inglês, elas aprendem desde cedo,
com mais facilidade e sem as adversidades impostas pela vida adulta.