Priscila Garcia: vivendo e aprendendo a criar

Aos 17 anos, sem saber uma só palavra em inglês, Priscila Garcia ganhou uma bolsa de estudos para os Estados Unidos. Dois anos depois, de volta ao Brasil, e dominando o idioma como poucos, Priscila engatou em uma bem-sucedida carreira de professora e, algum tempo depois, autora de livros didáticos. Uma das principais mentes criativas por trás do TWICE, Priscila afasta o material bilíngue do TWICE daquele escrito para cursos de idiomas: “São propostas completamente diferentes. No TWICE, existe muito mais conteúdo relevante”.

Acompanhe a trajetória desta profissional incansável, sonhadora e de uma criatividade que vai te impressionar e contagiar.

 

Priscila, antes de assumir a coautoria do material didático TWICE, você trabalhou durante anos como professora de inglês e autora de livros didáticos para cursos de idiomas. Como foi este caminho de professora a autora?

 

Eu já trabalhava em cursos livres e na rede pública de ensino por muitos anos lecionando inglês, mas sempre procurava tarefas que exigissem criatividade, porque queria desenvolver minha capacidade de inventar outros recursos para tornar as aulas mais interessantes, principalmente para mim mesma.

Foi assim que comecei a trabalhar com consultoria para a Cultura Inglesa, empresa da qual era contratada. Eles me encomendavam atividades que envolvessem apresentações de slides, jogos, ilustrações de provas e exercícios extras. Por causa disso, fui convidada para ser autora do meu primeiro livro para a Editora Moderna. Depois disso, a Editora Learning Factory me convidou para trabalhar na coleção infantil de livros didáticos da Cultura Inglesa, e lá fiquei com exclusividade por um bom tempo, produzindo inclusive músicas.

 

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44 livros: Priscila Garcia é coautora de todos os livros didáticos do TWICE.

 

O que a fez integrar a equipe de autoras do TWICE?

Quando saí do meu antigo emprego, eu quis mudar minha vida completamente e fazer algo que nunca havia feito antes. Eu e meu marido aceitamos trabalhar como voluntários para uma instituição que cuidava de menores em situação de risco em regime de casa-abrigo, a Casa Família Resgate. Nos mudamos para um sítio em Sambaetiba (RJ) e lá ficamos morando e coordenando uma casa com 14 crianças. Eu estava cursando Especialização em Literatura Infantil na Universidade Federal Fluminense (UFF) e estava muito inspirada com tudo que estava aprendendo e vivenciando na Universidade e com as crianças.

Foi aí que a Ana Gurgel me ligou e me propôs a cocriação do material do TWICE. Eu fiquei encantada com a proposta bilíngue. Isso fazia sentido para mim. Achava muito bacana que a criança pudesse rever os conteúdos da escola em uma outra língua. Gostei muito também da proposta de integrar uma equipe tão pequena, com mulheres que queriam fazer algo novo e crescer juntas.

 

De que forma um livro didático do TWICE é diferente daquele escrito para um curso de idiomas?

O livro e a proposta do TWICE são totalmente diferentes do que a gente faz em cursos de inglês. No TWICE, existe muito mais conteúdo relevante porque o aluno está revisitando os conteúdos de Ciências, História, Geografia, Matemática de uma forma lúdica e com várias experiências fora de sala de aula, com expressão artística, com música etc. Isso faz com que o material do autor seja muito mais variado e dinâmico. O TWICE também fornece a oportunidade para que um tipo de conhecimento puxe o outro. Se o aluno sabe determinado conteúdo em Matemática e o revisita em inglês, aquilo que ele sabe serve de base para que crie associações e aprenda melhor a língua que ele ainda não domina. Ao mesmo tempo, se o aluno está com dificuldades em Matemática e tem a oportunidade de rever o assunto em inglês, ele vai poder fixar melhor aquele conteúdo. Isso é uma via de mão dupla.

 

TWICE x Curso de Idiomas: propostas bem diferentes.

 

Como funciona o seu processo criativo, da pesquisa à execução?

Meu processo para criar as aulas começa tentando imaginar o que o aluno gostaria de fazer naqueles 50 minutos de aula. Eu pesquiso conteúdo, estudo, assisto a aulas sobre o assunto e depois tento criar atividades nas quais o aluno tenha sempre um desafio para vencer. Por exemplo: se ele tem que ler um texto, ele precisa ler para decifrar alguma coisa, para descobrir as palavras que estão faltando, para organizar as frases, para discutir etc. Tudo está atrelado a uma atividade. Basicamente, o meu maior desafio é criar atividades. O livro do TWICE não é meramente um livro de referência e sim um livro de atividades variadas que desafiam o aluno a chegar à informação utilizando o inglês. Ele é um material muito mais dinâmico.

 

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Atividade: vendados, alunos do Kinder 2 (3 anos) precisam adivinhar o objeto escondido na magic bag.

 

Agora, você trabalha junto com Ana Gurgel (CEO do TWICE) e Vera Cal (designer dos livros) na finalização do TWICE Middle School, o material didático para alunos de 11 a 14 anos, do Fundamental II. Qual é a maior diferença em criar livros para crianças, pré-adolescentes e adolescentes?

Tudo chegou na hora certa. Quando eu criei material para crianças, eu tinha acabado a Especialização em Literatura Infantil e estava meio que no mundo da fantasia. Isso me ajudou a entrar no mundo infantil com mais facilidade. Já no TWICE Middle School, eu tive que me reinventar. Acho que a maior diferença para mim é que estou tendo que estudar muito mais. Tenho que estudar outra vez aqueles conteúdos do Ensino Fundamental 2 que já ficaram no arquivo morto da minha mente. Tenho que reavivar esse conhecimento e, para isso, só estudando tudo outra vez, lendo mais, assistindo a vídeo-aulas, vendo filmes relacionados aos diversos temas. O mais bacana disso é que eu estou adorando reaprender tudo. Às vezes, eu chego em casa e puxo conversa com meu marido, contando pra ele o que eu aprendi naquele dia sobre as camadas da Terra e os terremotos, sobre os micro-organismos e o Ciclo do Carbono, sobre o Tenentismo e a Era Vargas, e isso me anima muito porque não há melhor tônico para a mente do que o conhecimento.

 

 

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