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O ensino bilíngue está em franca expansão no Brasil. Os programas da área são, inclusive, umas das principais tendências da educação em 2022. Por outro lado, o tema ainda gera dúvidas em gestores escolares, pais e alunos. Daí, nasce uma série de mitos sobre o ensino bilíngue, o que causa confusão, por exemplo, na hora de escolher a melhor escola para os filhos. 

A seguir, apresentamos três mitos sobre o ensino bilíngue e explicamos quais são os seus equívocos. Na sequência, listamos três verdades sobre o ensino bilíngue – ou seja, fatos que ajudam a entender seu funcionamento e quais são as principais vantagens de aprender uma segunda língua na escola. 

3 mitos sobre ensino bilíngue

  1. Educação bilíngue custa caro

Não necessariamente. Na verdade, o preço varia conforme o tipo de colégio. As escolas internacionais, sim, são caras. Para se ter uma ideia, nos anos finais do ensino fundamental, o valor das mensalidades pode chegar aos R$ 10 mil, segundo um estudo realizada em 2019 pela JK Capital. Nas escolas bilíngues, o valor  pode cair para mais da metade. 

Entretanto, a opção mais barata neste segmento são as escolas com carga horária estendida em língua adicional, que são aquelas com programas bilíngues integrados aos seus currículos. Elas são uma alternativa econômica e prática, pois têm melhor custo-benefício tanto na comparação com escolas internacionais como com escolas bilíngues. Vale destacar que a educação bilíngue dispensa o pagamento de um curso de idiomas.  

  1. Educação bilíngue, escola bilíngue e escola internacional são a mesma coisa 

Essa talvez seja a confusão mais corriqueira a respeito do ensino bilíngue. A educação bilíngue, escola bilíngue e a escola internacional  têm em comum a aplicação de uma língua estrangeira para lecionar  parte ou a totalidade do conteúdo, respectivamente. Mas as Diretrizes Curriculares para a Educação Plurilíngue, do Conselho Nacional de Educação (CNE), deixam bem claras quais são as diferenças entre elas, como explicamos neste post. 

Em resumo, as escolas internacionais estão vinculadas a outros países e adotam currículos estrangeiros, usando o idioma estrangeiro em todas as aulas. Ao final, o aluno recebe duplo diploma, podendo ingressar em faculdades tanto no Brasil, quanto nos países que ditam o currículo daquela escola.  As escolas bilíngues seguem o currículo brasileiro, ministrando as disciplinas do currículo básico em dois idiomas, parte em português, parte no segundo idioma. Já a educação bilíngue oferece carga horária estendida em uma segunda língua integrando os conteúdos aprendidos em português com a língua adicional.

  1. Alfabetização tem que ocorrer primeiro em uma língua, depois em outra

Esse tópico reúne diversos mitos a respeito da educação bilíngue. Há quem diga, por exemplo que ela confunde a criança, prejudica o desenvolvimento da língua materna e atrapalha o aprendizado do conteúdo em geral, entre outros enganos. Nenhuma dessas suposições tem respaldo na prática ou em pesquisas acadêmicas sobre o assunto. 

O aluno não passa por processos separados durante o aprendizado de cada uma das línguas, como explica a doutora em linguística aplicada e coordenadora da pós-graduação em educação bilíngue do Instituto Singularidades, Antonieta Megale. “Pelo contrário, a criança bilíngue constrói conhecimentos e desenvolve habilidades utilizando todo seu repertório linguístico”, escreve Megale no blog do Instituto.

3 verdades sobre o ensino bilíngue

  1. Educação bilíngue aumenta o repertório cultural

A educação bilíngue não garante apenas o aprendizado de uma segunda língua. O processo de ensino e aprendizagem engloba aspectos culturais do país de origem do idioma estrangeiro. Isso se reflete, por exemplo, nos materiais didáticos e atividades pedagógicas – ambos visam uma imersão em uma nova cultura. 

Em contato com visões de mundo diferentes, os jovens desenvolvem a empatia e o respeito a diversidade. Em um mundo cada vez mais globalizado, o aluno bilíngue também consome objetos artístico e científicos – como pesquisas, filmes, livros, séries e músicas – em mais de um idioma, o que aumenta seu repertório cultural. 

  1. Desenvolve habilidades socioemocionais

As habilidades socioemocionais – ou soft skills – são fundamentais para os profissionais do presente e do futuro, como aponta o relatório Future of Jobs, do Fórum Econômico Mundial. Além da empatia, que citamos anteriormente, o ensino bilíngue ajuda a desenvolver outras competências desse tipo, como a criatividade, comunicação e a resolução de problemas.  

  1. Quanto antes começar, melhor 

Não existe limite de idade para uma pessoa se tornar bilíngue, o que pode acontecer, inclusive, na idade adulta. Ou seja, nunca é tarde para dar o pontapé inicial. Entretanto, quanto antes começar, melhor. Por isso, os programas de ensino bilíngue estão disponíveis desde a educação infantil, quando a criança está em fase de alfabetização.

Nessa etapa da vida, a plasticidade cerebral é maior. Isso significa que há maior flexibilidade para assimilar novos conhecimento. Além disso, na primeira infância, o aparelho fonador está mais apto a assimilar e produzir os sons necessários no aprendizado de uma segunda língua. Por fim, o ensino bilíngue favorece o desenvolvimento de capacidades cognitivas das crianças, como memória.